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Vem chegando o verão!!!

Verão

O chef Emerson Mantovani durante a degustação | Foto: Divulgação

» Por aqui o verão vem chegando com força: dias mais quentes, dias mais claros, o sol se pondo depois das 21 horas e, a cada dia, um pôr-do-sol mais belo que o do dia anterior. No Brasil, nosso inverno não é tão rigoroso, salvo pelas bandas do sul. Então, mesmo no inverno, vocês podem experimentar os vinhos verdes Portugueses.

A região vitivinícola do Vinho Verde está ao norte de Portugal, basicamente se estende do rio Douro até o rio Minho, que é fronteira com a Espanha, uma vasta região de relva verde que foi demarcada em 18 de setembro de 1908. São nove sub-regiões demarcadas dentro da região do Vinho Verde e, cada uma delas, produz vinhos verdes com características diferentes, notáveis são os “terroirs” que estas regiões possuem.

Conhecendo a região, podemos acreditar que a denominação “Vinho Verde” se deve aos campos verdes que, mesmo no inverno, permanecem desta maneira. Mas existe também uma outra versão para a origem do nome: fala-se que a denominação vem por causa do tipo do vinho que se produz, um vinho com frescor inigualável, o que nos leva a crer que o vinho é feito com a uva ainda verde.

Várias castas fazem parte do acervo de produção. Nas brancas, Alvarinho, Trajadura, Loureiro, Arinto, Azal e Avesso são as mais usadas. Nas tintas, temos o Vinhão como sendo a mais usada. Castas mais encorpadas como a Alvarinho de Monção se contrapõe com o perfume e suavidade da Loureiro do Vale do Lima ou dos produzidos na sub-região do Sousa.

Nesta sub-região do Sousa, fui visitar a Quinta da Lixa, uma empresa familiar que há alguns anos produzia vinhos a granel e hoje é uma das grandes produtoras da região. Não se engane, aqui você não verá uma vinícola com toneis, madeira, aquela coisa tradicional. A grande maioria dos vinhos verdes são feitos para serem jovens e ficam guardados em tanques de aço inoxidável, são engarrafados conforme o pedido do cliente, o que dá a estes vinhos um frescor maior.

 

A Quinta da Lixa é uma vinícola moderna, com grande capacidade de produção, cerca de mais de 4 milhões de litros em uma área de produção de 6 mil m². Ela produz 11 rótulos, o mais famoso é o “O Tal vinho da Lixa”, seu vinho de entrada que tem um excelente custo benefício, ser um vinho jovem, leve, frutado e refrescante.

A degustação foi feita em uma bela sala de provas, com vista para parte do terreno e para a área de produção, uma mesa das mais modernas, com 20 lugares, cada uma com cuspideira autolavável.

Nossa visita foi conduzida por Diogo Vieira. Selecionamos 7 vinhos para a prova, os que ainda não conhecia, e a cada dia mais intrigado e apaixonado pela casta Loureiro. Não consigo falar sobre todos, mas nas fotos vocês podem ver os vinhos provados. No final, ainda recebemos para levar e provar em casa dois vinhos novos que eles estão lançando e passo a falar um pouco deles.

Quinta da Lixa Reserva – Alvarinho 2015

É um alvarinho intrigante, diferente dos alvarinhos de Molção, aqui a mistura de solos de granito e xisto fazem com que ele ganhe, não em estrutura, mas frescura no nariz e na boca, uma mineralidade excelente, os aromas de lichia, toques florais surpreendem. Excelente teor alcoólico, 13%.

O processo de produção é feito por desengace total e prensagem direta das uvas inteiras, decantação por frio prolongado. A fermentação também é feita de modo a dar a este vinho uma característica diferenciada, o primeiro terço em cuba de inox, depois fermentação em barricas de carvalho francês (60%) e americano (40%), passa ainda por estágio em madeira com batonagem sobre as borras totais por 6 meses e estágio em garrafa por mais 4 meses.

É um vinho gastronômico, pede comida, pratos com complexidade, peixes gordos, caças de carne branca, sem falar nas belas harmonizações com queijos portugueses e posso ainda dizer que harmoniza bem com sobremesas. Tem um potencial de guarda de 5 a 7 anos.

Quinta da Lixa Reserva – Tinto 2015

Aqui fiquei inicialmente com certa resistência, não tinha gostado muito dos vinhos verdes tintos, a vinhão é uma casta potente com grande poder de acidez, mas fiquei muito surpreso com o potencial deste vinho, me chamou a atenção a elegância que ele traduziu a casta e lógico o poder de levar o vinho à mesa, um belo vinho para cozinha autoral.

Aqui temos um vinho com 95% de vinhão e 5% de alvarinho, estrutura é seu nome e vou ficar tentado a comprar mais garrafas e provar uma a cada ano (quem me conhece sabe que isso é quase impossível, compro vinho para beber e não guardar).

As uvas são colhidas com grau alto de maturação, a intenção é aumentar as notas de frutas e isso fica logo perceptível quando se coloca o vinho na taça, cerejas e groselhas maduras parecem pular da taça. O vinho tem fermentação em cubas de inox a baixa temperatura. Maceração pós-fermentativa e estágio de 8 meses em barricas novas de carvalho francês (50%) e barricas de 2º uso de carvalho americano (50%) e estágio de 4 meses em garrafa.

Na boca é um vinho que preenche, carnudo, novamente frutos negros aparecem e um final de boca com notas balsâmicas.

A experiência de conhecer a Quinta da Lixa ainda não foi completa, eles possuem um hotel a cerca de 5 km de distância da produção, o Monverde, um hotel boutique, dentro dos vinhedos que em breve espero conhecer e depois conto como foi a experiência.

 

Abraços e até a próxima.

Vem chegando o verão!!!
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Emerson Mantovani
Emerson Mantovani
Chef especializado em cozinha autoral, radicado em Portugal, e que foi responsável por projetos inovadores como o Trio Gastronomia

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